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sexta-feira, 3 de abril de 2015

DILMA CONTINUA SENDO ESPIONADA PELOS EUA - UM DESABAFO!

Acompanhando atentamente o noticiário político desde os meus 18 anos de idade, ainda me surpreendo com a forma desavergonhada como os poderosos manipulam a opinião pública nestes tristes trópicos.

Quando o Fantástico revelou que a presidenta Dilma Rousseff estava sendo espionada pelos EUA em 2013, houve todo aquele alvoroço e ela, para simular uma independência da qual o PT abdicara desde o infame pacto com o capital firmado em 2002 ("deixe-me fingir que exerço o poder político e eu nada farei que desagrade ao poder econômico"), foi chorar as pitangas na ONU, o muro de lamentações ao qual recorrem os impotentes famosos da política.

A delegação dos EUA, em evidente atitude de deboche, não deixou ninguém de alto escalão para escutar a arenga da Dilma. Mas, tal ridicularia foi vendida ao povo brasileiro como um digno desagravo. Me engana que eu gosto.
 















Há dois meses, The New York Times confirmou que, como era de se esperar, a Dilma continuava na lista dos dirigentes espionáveis. Desta vez a TV deixou barato e tanto as hostes governistas quanto as oposicionistas evitaram destacar uma notícia que causaria mal-estar nas relações entre Brasil e EUA. Umas porque colocam as conveniências políticas acima de quaisquer princípios; outras porque colocam os negócios acima de quaisquer princípios.


A dignidade nacional ultrajada não conta, nem nunca contará para essa gente sórdida. Mas, se dos vassalos do capital nunca esperamos nada além da amoralidade costumeira, do partido que ajudamos a forjar esperávamos reação bem diferente.

É melancólico constatar que, para o PT, hoje tanto dá engolir o sapo gigantesco que os EUA lhe estão enfiando goela adentro quanto delegar a gestão econômica a um Chicago Boy depois de passar décadas discursando contra o neoliberalismo.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Alemanha e França compreenderam que os EUA enlouqueceram

 http://americanfreepress.net/?p=23302

Esta é uma das mais importantes palestras em muito tempo porque condensa de forma excepcional  toda a política externa norteamericana desde o final da Segunda Guerra Mundial focando particlarmente na ascensão ao poder dos neoconservadores com as políticas neolibrais. Feita por quem tem um vasto e apurado conhecimento das entranhas do poder em Washington e do aparato político internacional, encontro nas suas palavras uma enorme sintonia com o que eu venho pensando e deduzindo dos acontecimentos. A minha tradução segue abaixo para quem não tem tanta fluência no ingles e merece estar ao par do mais atual na política mundial.

Rebello
.

D.C. o Inimigo da Paz Mundial

21 de março de 2015  -   Exclusivo da AFP

Em 25 e 26 de fevereiro e 2015, Paul Craig Roberts discursou no 70º aniversário da Conferência de Yalta, organizado pela Academia de Ciências da Rússia e pelo Instituto Estatal de Moscou de Relações Internacionais. O que se segue é o seu discurso no evento que durou dois dias.

Por Paul Craig Roberts*

Recentemente, fui convidado para palestrar em uma importante conferência na Academia de Ciências da Rússia, em Moscou. Estudiosos da Rússia e de todo o mundo, funcionários do governo russo e o povo russo buscam uma resposta para o por quê de Washington, durante o ano passado, ter destruído  as relações amistosas entre os EUA e a Rússia que os presidentes Ronald Reagan e  Mikhail Gorbachev conseguiram estabelecer. Todos na Rússia estão angustiados sobre o por que de Washington, sozinho, ter destruido a confiança entre as duas maiores potências nucleares que tinha sido criada durante a era Reagan-Gorbachev, a confiança que havia retirado a ameaça do Armagedon nuclear.

Russos em todos os níveis estão espantados com a virulenta propaganda e mentiras que estão constantemente saindo de Washington e dos meios de comunicação ocidentais. A demonização gratuita de Washington contra o presidente russo Vladimir Putin tem mobilizado o povo russo dando-lhe suporte. Putin tem o maior índice de aprovação jamais alcançado por qualquer líder em minha vida.

A destruição imprudente e irresponsável de Washington da confiança alcançada por Reagan e Gorbachev ressuscitou da sepultura, em que Reagan e Gorbachev enterraram, a possibilidade de uma guerra nuclear. Mais uma vez, como durante a Guerra Fria, o espectro de um Armagedon nuclear brota da terra.

Por que Washington revive a ameaça de aniquilação do mundo? Por que esta ameaça à toda a humanidade tem o apoio da maioria do Congresso, da totalidade dos meios de comunicação, da imprensa prostituta e de acadêmicos e think-tanks dos EUA?

Foi minha tarefa responder esta pergunta para a conferência. Leia o meu discurso abaixo.

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O perigoso "Excepcionalismo Norte-americano"

O que eu proponho a vocês é que as dificuldades atuais na ordem internacional não estão relacionadas com Yalta e suas conseqüências, mas têm a sua origem no surgimento da ideologia neoconservadora na era pós-soviética e sua influência sobre a política externa de Washington.

O colapso da União Soviética retirou a única restrição do poder de Washington de agir unilateralmente no exterior. Naquele tempo foi estimado que a ascensão da China levaria meio século. De repente, os Estados Unidos encontraram-se como sendo a força única, a "única superpotência do mundo." Os neoconservadores proclamaram o "fim da história".

Por "fim da história" os neoconservadores querem dizer que a concorrência entre os sistemas sócio-econômico-políticos chegaram ao fim. A história escolheu o "capitalismo democrático Americano." É responsabilidade de Washington exercer hegemonia sobre o mundo, dado à Washington pela história, para alinhar o mundo de acordo com a escolha da história pelo capitalismo democrático Americano.

Em outras palavras, Marx foi provado errado. O futuro não pertence ao proletariado, mas à Washington.

Excepcionalismo Norteamericano

A ideologia neoconservadora eleva os Estados Unidos ao original status de ser "o país excepcional", e o povo norteamericano adquire o exaltado status de "pessoas indispensáveis."

Se um país é "o país excepcional", isso significa que todos os outros países são ordinários. Se um povo é de "indispensáveis", isso significa que os outros povos são dispensáveis. Vimos essa atitude no trabalho de Washington em 14 anos de guerras de agressão no Médio Oriente. Estas guerras deixaram países destruídos e milhões de mortos, feridos e deslocados. No entanto, Washington continua a falar de seu compromisso de proteger países menores da agressão de países maiores. A explicação para essa hipocrisia é que Washington não considera a agressão de Washington como agressão, mas como propósito da história.

Vimos também a manifestação desta atitude no desdém de Washington para com os interesses nacionais da Rússia e na resposta propagandística de Washington para a diplomacia russa.

A doutrina neoconservadora dos EUA de supremacia mundial é mais clara e concisamente afirmada por Paul Wolfowitz, um líder neoconservador que já ocupou vários altos cargos: vice-secretário assistente de Defesa dos EUA, diretor de planejamento de políticas do Departamento de Estado dos EUA, secretário-assistente de Estado, embaixador na Indonésia, subsecretário de Defesa para a política, vice-secretário de Defesa e presidente do Banco Mundial.

Em 1992, Wolfowitz lançou a doutrina neoconservadora de supremacia mundial norte-americana:

"Nosso primeiro objetivo é impedir a re-emergência de um novo rival, seja no território da antiga União Soviética ou em outro lugar, que represente uma ameaça à ordem, anteriormente imposta pela União Soviética. Esta é uma consideração dominante subjacente à nova estratégia de defesa regional e exige que nós nos esforcemos para evitar que qualquer potência hostil domine uma região cujos recursos, sob controle consolidado, seja suficiente para gerar poder global. "

Para esclarecimento, um "poder hostil" é um país com uma política independente (Rússia, China, Irã e anteriormente Saddam Hussein, Kadafi, Assad).

Esta ousada declaração repercutiu no tradicional estabelecimento norteamericano de política externa como uma declaração do imperialismo norte-americano. O documento foi reescrito de forma a suavizar e disfarçar a afirmação de flagrante supremacia sem mudar a intenção. Estes documentos estão disponíveis on-line, e você pode examiná-los à sua conveniência.

O Domínio da Política Externa Neocon

A suavização da linguagem permitiu que os neoconservadores alcançassem o domínio da política externa. Os neoconservadores são responsáveis ​​pelos ataques do regime Clinton à Yugoslávia e à Sérvia. Os neoconservadores, especialmente Wolfowitz, são responsáveis ​​pela invasão do regime George W. Bush no Iraque. Os neoconservadores são responsáveis ​​pela derrubada e assassinato de Khadafi na Líbia, pelo ataque à Síria, pela propaganda contra o Irã, pelos ataques de drones no Paquistão e Iêmen, pelas revoluções coloridas em ex-repúblicas soviéticas, pela tentativa da "Revolução Verde" no Irã, pelo golpe de Estado na Ucrânia e pela demonização de Putin.

Um número de perspicazes americanos suspeitam que os neoconservadores são os responsáveis ​​pelo 9-11, em como aquele evento forneceu aos neoconservadores o "novo Pearl Harbor" que, nas suas posições de teoria política, dizem ser necessário para lançar suas guerras de hegemonia no Oriente Médio. 9-11 levou direta e imediatamente à invasão do Afeganistão onde Washington tem lutado desde 2001. Os neoconservadores controlavam todos os cargos governamentais importantes necessários para um ataque de "falsa bandeira".

A Subsecretária neoconservadora de Estado Victoria Nuland, que é casada com outro neoconservador, Robert Kagan, implementou e supervisionou o golpe de Washington na Ucrânia e escolheu o novo governo.

Os neoconservadores são altamente organizados e em rede, bem financiados, apoiados pela mídia impressa e TV, pelo complexo militar de segurança dos EUA e pelo lobby israelense. Não há poder mitigante à sua influência na política externa dos EUA.

A doutrina neoconservadora vai além da doutrina Zbigniew Brzezinski, que discordou da détente e provocativamente apoiou dissidentes dentro do império soviético. Apesar de seu caráter provocativo, a doutrina Brzezinski permaneceu uma doutrina de política de poder e de contenção. Não é uma doutrina de hegemonia mundial dos EUA.

Enquanto os neoconservadores durante uma década estavam preocupados com suas guerras no Oriente Médio, criando um Comando África dos EUA, organizando revoluções coloridas, saindo de tratados de desarmamento, cercando a Rússia com bases militares e fazendo um "giro à Ásia" para cercar a China com novas bases aéreas e navais, Putin levou a Rússia de volta à competência econômica e militar e afirmou com sucesso uma política externa russa independente.

Quando a diplomacia russa bloqueou a planejada invasão de Washington à Síria e o bombardeio de Washington no Irã, os neoconservadores perceberam que haviam falhado no "primeiro objetivo" da doutrina Wolfowitz e permitiram "o ressurgimento de um novo rival . . . no território da antiga União Soviética ", com o poder de bloquear a ação unilateral de Washington.

Ataque à Rússia começa

Começa o ataque contra a Rússia. Washington gastou US $ 5 bilhões durante uma década criando organizações não-governamentais (ONGs) na Ucrânia e cultivando políticos ucranianos. As ONGs foram chamadas para as ruas. Nacionalistas extremos foram usados ​​para introduzir a violência, e o governo democrático eleito foi derrubado. A conversa telefônica interceptada entre Victoria Nuland e o embaixador dos EUA em Kiev, na qual os dois agentes de Washington escolhem os membros do novo governo da Ucrânia, é bem conhecida.

Se a informação que a mim chegou recentemente da Armênia e Quirguistão está correta, Washington tem financiado ONGs e está cultivando políticos na Armênia e nas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.

Se as informações estiverem corretas, a Rússia pode esperar mais revoluções coloridas ou golpes de Estado em outros ex-territórios da União Soviética. Talvez a China enfrente uma ameaça similar em Uyghurstan.

O conflito na Ucrânia é muitas vezes chamado de "guerra civil". Isso é incorreto. Uma guerra civil é quando dois lados lutam pelo controle do governo. As repúblicas separatistas na Ucrânia oriental e meridional estão lutando uma guerra de secessão.

Washington estaria feliz em ter usado seu golpe de Estado na Ucrânia para expulsar a Rússia de sua base naval do Mar Negro, já que esta teria sido uma conquista militar estratégica. No entanto, Washington sente prazer em que a "crise na Ucrânia" orquestrada por Washington, resultou na demonização de Putin, permitindo assim sanções econômicas que puseram em perigo as relações econômicas e políticas da Rússia com a Europa. As sanções têm mantido a Europa na órbita de Washington.

Sem interesse na paz

Washington não tem interesse em resolver a situação ucraniana. A situação pode ser resolvida diplomaticamente somente se a Europa puder alcançar soberania suficiente sobre a sua política externa para agir em interesse da Europa, em vez do interesse de Washington.

A doutrina neoconservadora de hegemonia mundial dos EUA é uma ameaça à soberania de cada país.

A doutrina requer subserviência à liderança de Washington e para os propósitos de Washington. Governos independentes são alvo de desestabilização. O regime Obama derrubou o governo reformista em Honduras e, atualmente, está trabalhando na desestabilização da Venezuela, Bolívia, Equador e Argentina, e, provavelmente, também da Armênia e das ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central.

Seria um erro estratégico descartar a ideologia neoconservadora como irreal. A doutrina não é realista, mas é a força condutora da política externa dos EUA e pode produzir uma guerra mundial.
Em seus conflitos com a hegemonia de Washington, Rússia e China estão em desvantagem. O sucesso da propaganda americana durante a Guerra Fria, as grandes diferenças entre os padrões de vida nos EUA e aqueles em terras comunistas, a manifesta opressão política comunista às vezes brutal, e o colapso da União Soviética criaram na mente de muitas pessoas virtudes inexistentes para os EUA. Como o inglês é a língua mundial e a mídia ocidental é cooperativa, Washington é capaz de controlar explicações, independente dos fatos. A capacidade de Washington para ser o agressor e culpar a vítima incentiva a marcha de Washington para mais agressão.

9-11 e o Estado Policial dos EUA

Assim como o 9-11 serviu para lançar as guerras de hegemonia de Washington no Oriente Médio, o 9-11 serviu para criar o estado policial americano. A Constituição e as liberdades civis que ela protege rapidamente caíram pela acumulação de poder no Executivo que uma situação de guerra permite.

Novas leis, algumas claramente pré-preparadas como o Patriot Act, ordens executivas, diretrizes presidenciais e memorandos do Departamento de Justiça criaram uma autoridade executiva inexplicável à Constituição, e à lei nacional e internacional.

De repente, os americanos poderiam ser detidos indefinidamente sem justa causa apresentada à um tribunal. O Habeas Corpus, proteção constitucional que proíbe qualquer tipo de detenção, foi colocado de lado.

De repente as pessoas poderiam ser torturadas para confissões em violação do direito contra a auto-incriminação e em violação das leis nacionais e internacionais contra a tortura.

De repente, americanos e aliados mais próximos de Washington poderiam ser espionados indiscriminadamente sem a necessidade de mandados demonstrando causa.

O regime Obama acrescentou às transgressões do regime de Bush a afirmação do direito do Poder Executivo para assassinar cidadãos americanos sem o devido processo legal.

O estado policial foi organizado sob um enorme novo Departamento de Segurança Interna. Quase que imediatamente, proteções aos que fazem denúncia, a liberdade de imprensa e de expressão e direito à protestos foram atacados e reduzidos.

Não demorou muito antes que a Segurança Interna declarasse que o foco do departamento mudou, de terroristas muçulmanos à "extremistas domésticos", uma categoria indefinida. Qualquer um pode ser varrido para esta categoria. Casas de manifestantes de guerra foram invadidas e júris foram convocados para investigar os manifestantes. Americanos de origem árabe que doaram para instituições de caridade - mesmo instituições de caridade da lista  aprovada pelo Departamento de Estado - que auxiliaram crianças palestinas foram presos e condenados à prisão por "fornecer apoio material ao terrorismo".

Tudo isso e muito mais, incluindo a brutalidade policial, teve um efeito inibidor sobre os protestos contra as guerras e a perda de liberdade civil. Os crescentes protestos da população norte-americana, e mesmo de soldados que eventualmente forçaram Washington a acabar com a Guerra do Vietnã, têm sido impedidos no século 21 pela erosão dos direitos, intimidação, perda de mobilidade (no-fly list), perda do emprego e outras pesadas ações inconsistentes com um governo responsável perante a lei e para o povo.

Em um sentido importante os EUA emergiram a partir da "guerra ao terror" como uma ditadura do Poder Executivo sem restrições pelos meios de comunicação e pouco, senão em nada, constrangida pelo Congresso e tribunais federais. A ilegalidade do Poder Executivo se espalhou para os governos dos estados vassalos de Washington e para o Federal Reserve, para o Fundo Monetário Internacional e para o Banco Central Europeu, os quais violam os seus charters e operam fora de suas competências legais.

Empregos deslocados para operações offshore destruiram os sindicatos industriais e de manufaturados norte-americanos. Suas extinções e o ataque atual sobre os sindicatos públicos de empregados deixou o Partido Democrata financeiramente dependente dos mesmos grupos organizados por interesses privados, assim como os republicanos. Ambos partidos políticos agora respondem aos mesmos grupos de interesse. Wall Street, o complexo militar de segurança, o lobby israelense, o agronegócio e as indústrias extrativistas (petróleo, mineração, madeira) controlam o governo, independente do partido no poder. Estes interesses poderosos, todos têm uma participação na hegemonia norteamericana.

A mensagem é que a constelação de forças se opõe à mudança política interna.

O Calcanhar de Aquiles da América do Norte

Calcanhar de Aquiles da hegemonia é a economia dos EUA. O conto de fadas de recuperação da economia americana apoia a imagem da América como o porto seguro, uma imagem que mantém o valor do dólar para cima, o mercado de ações elevado e taxas de juros para baixo. No entanto, não há nenhuma informação economica que dê suporte a esse conto de fadas.

A renda familiar média real não cresceu durante anos e está abaixo dos níveis do início da década de 1970. Não houve crescimento nas vendas reais do comércio varejista por seis anos. A força de trabalho está encolhendo. A taxa de participação na força de trabalho diminuiu desde 2007, assim como a relação emprego civil - população. A taxa de desemprego de 5,7% reportado é alcançado por não contar trabalhadores desencorajados como parte da força de trabalho. Um trabalhador desencorajado é uma pessoa que não consegue encontrar um emprego e desiste de procurar.

A segunda taxa de desemprego oficial, que conta a curto prazo (menos de um ano) trabalhadores desencorajados, que raramente é relatado, situa-se em 11,2%. O governo dos Estados Unidos parou de incluir trabalhadores desencorajados a longo prazo (desanimados por mais de um ano) em 1994. Se a longo prazo os desanimados são contados, a atual taxa de desemprego nos EUA é de 23,2%.

O offshoring de empregos na indústria e nos serviços profissionais americanos, tais como engenharia de software e tecnologia da informação, tem devastado a classe média. A classe média não encontra emprego com rendimentos comparáveis ​​aos movidos para o exterior. As economias de custo, feitas pelo trabalho offshore na Ásia, fez aumentar os lucros das empresas, os bônuses dos executivos e os ganhos dos acionistas. Assim, todos os ganhos de renda e riqueza estão concentrados em poucas mãos no topo da distribuição da renda. O número de bilionários cresce à medida que a miséria atinge, a partir da classe econômica mais baixa, a classe média. Graduados de universidades americanas são incapazes de encontrar emprego e voltam para seus quartos da infância em casa dos pais e trabalham como garçonetes e bartenders em empregos part-time que não lhes dão sustento.

Nenhum dos problemas que criaram a recessão de 2008 e que foram criados pela recessão de 2008 foram abordados. Em vez disso, os políticos têm usado uma expansão da dívida e dinheiro para 'empapelar' os problemas. Dinheiro e dívida têm crescido muito mais do que o PIB dos EUA, o que levanta questões sobre o valor do dólar dos Estados Unidos e da qualidade de crédito do governo dos EUA.

Isso levanta a questão: Por que o rating de crédito da Rússia, um país com uma baixíssima proporção da dívida em relação ao PIB, é rebaixado e não o dos EUA? A resposta é que o rebaixamento da qualidade de crédito da Rússia foi um ato político dirigido contra a Rússia, em nome da hegemonia norte-americana.

Quanto tempo pode durar este Castelo de Cartas?

Quanto tempo pode contos de fadas e atos políticos manter o Castelo de Cartas norte-americana de pé? Um mercado de ações fraudado. Uma taxa de juros fraudada. Um valor de câmbio do dólar fraudado, um preço de ouro fraudado e suprimido.

O atual sistema financeiro ocidental baseia-se no apoio mundial ao dólar norte-americano e nada mais. O problema com a economia neoliberal, que permeia todos os países, inclusive a Rússia e a China, é que a economia neoliberal é uma ferramenta do imperialismo econômico dos Estados Unidos, como é o globalismo. Enquanto os países alvo de Washington para desestabilização se apegarem às doutrinas norte-americanas que permitem a desestabilização, os alvos são indefensáveis.

Se a Rússia, a China e o banco do BRICS estiverem dispostos a financiar a Grécia, Itália e  Espanha, talvez esses países pudessem ser separados da UE e da OTAN. Começaria aí o desenlace do império de Washington.

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*Dr. Paul Craig Roberts foi secretário assistente do Tesouro dos EUA sob o presidente Ronald Reagan, foi editor associado e colunista do The Wall Street Journal. Ele tem sido um professor de economia em seis universidades, e é o autor de numerosos livros e contribuições acadêmicas. Ele testemunhou perante o Congresso em 30 ocasiões.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015

O "FENÔMENO LULA" É UM HÍBRIDO DE MOLUSCO COM CAMALEÃO...

Eles também se camuflam bem em ambientes vermelhos
"Diferentes espécies de camaleão são capazes de variar a sua coloração e padrão por meio de combinações de rosa, azul, vermelho, laranja, verde, preto, marrom, azul claro, amarelo, turquesa e púrpura. A mudança de cor nos camaleões tem funções na sinalização social e em reações a temperatura e outras condições, bem como em camuflagem." (Wikipedia)

O poeta Ferreira Gullar analisou o fenômeno Lula num artigo que deverá provocar muita irritação nas hostes petistas. Recomendo que todos o leiam e reflitam sobre ele.

Boa parte (há alguns exageros dos quais discordo) poderia ter sido escrita por mim. Contemporâneo da ascensão de Lula, sempre o vi como um pragmático que utilizava bandeiras ideológicas como meio para atingir seus fins, nunca as tendo verdadeiramente encarado como fins em si. Um camaleão, portanto.

Não corroborarei as acusações que amiúde ouvi, de parceria com as montadoras ou conluio com o Governo Geisel. Isso jamais foi provado.
Montadoras davam aumentos... e um pulo do gato!  

Direi apenas que o sucesso dos sindicalistas do ABC foi facilitado por convir às indústrias automobilísticas: o governo mantinha congelados os preços dos veículos e as ditas cujas aproveitaram as greves para implodir tal congelamento, exigindo que os aumentos salariais por elas concedidos fossem repassados para os preços. Ou seja, serviam-se do novo sindicalismo para abrir brechas e se tornarem exceções à rigidez oficial. Usaram os limões para fazer limonada.

Uma questão a ser aprofundada pelos historiadores é o motivo da mudança de postura de Lula: como sindicalista, hostilizava a esquerda e tudo fazia para evitar que ela, invadindo a sua praia no ABC, contaminasse as lutas sindicais; ao decidir criar seu partido político, chamou-a para negociar, pois dela necessitava para dar amplitude nacional à nova agremiação.

Quanto ao mago Colbery do Couto e Silva, após definir as linhas mestras do projeto de distensão política do Governo Geisel, ele tratou de levantar a bola dos adversários preferíveis no quadro futuro. Assim, p. ex., comunicou pessoalmente ao mandachuva da Folha de S. Paulo que a censura seria em breve levantada, aconselhando-o a adotar uma postura mais crítica e independente no seu principal jornal, para evitar que O Estado de S. Paulo surfasse sozinho nas ondas da abertura.
Eles se dividiram e a classe dominante reinou

Ainda seguindo sua lógica de dividir para reinar, Golbery via com bons olhos a ascensão de Lula como contraponto à liderança bem mais radical de Leonel Brizola. Foi o que acabou ocorrendo: o PT cresceu e o PDT encruou. As ambições e personalismo do nosso lado deram vida fácil ao outro lado.

Para a esquerda, foi trágico: juntos, Brizola e Lula poderiam ter levado a redemocratização bem mais adiante, provavelmente até evitando a transição sob total controle da classe dominante em que se constituiu a eleição indireta de Tancredo Neves: uma saída pela ditadura pela porta dos fundos.

Enfim, tais circunstâncias ajudaram Lula a chegar aonde chegou mas, sem provas consistentes, não podemos considerá-lo nada além de um homem bafejado pelo destino. Como o continuaria sendo, aliás. Paradoxalmente, até o seu pior momento acabou lhe trazendo um benefício: a autonomia de voo.

Os Zés Dirceu e Genoíno acreditavam que conseguiriam tutelar Lula indefinidamente, mas não contavam com o escândalo do mensalão, que esgarçou a liderança de ambos. Embora já tivessem flexibilizado em muito os ideais que professavam, os dois continuavam, basicamente, marxistas; haviam desistido do combate sem tréguas à burguesia, mas, pelo menos, tentavam trilhar um terceiro caminho entre a intransigência revolucionária e a capitulação incondicional ao inimigo. Tinham se tornado, digamos, bolivarianos light.
Zé Dirceu perdeu ascendência

Quando Lula ficou por sua própria conta, acabaram os últimos resquícios de pudor e o PT não parou mais de prostrar-se à burguesia no que realmente conta, a política econômica. Nunca dantes neste país os grandes capitalistas, banqueiros à frente, obtiveram lucros tão escandalosos. A retórica de esquerda se tornou apenas um engana-trouxas a ser utilizado no período eleitoral e devolvido ao arquivo morto logo em seguida, ao se montarem as equipes ministeriais.

Eu ainda tinha um tiquinho de esperança em Dilma Rousseff, tanto que combati José Serra com todas as minhas forças em 2010 (gato escaldado, preferi não apoiar explicitamente alguém que para mim era uma incógnita, daí haver optado por apenas bater pesado no tucano que, tanto como governador de São Paulo quanto na campanha presidencial, havia guinado com tamanho ímpeto à direita que chegava a lembrar o corvo Carlos Lacerda).

A pusilanimidade de Dilma em episódios cruciais --como quando ignorou a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos a respeito dos executados do Araguaia, criando a Comissão Nacional da Verdade como contraponto propagandístico e não a respaldando nos episódios em que brucutus militares desafiaram a CNV ostensivamente, ou como quando fechou os ouvidos ao pedido de asilo de Edward Snowden-- matou as minhas últimas ilusões.

Sabia muito bem o que viria num segundo mandato de Dilma, tanto que cansei de escrever que ela faria o serviço sujo exigido pelo poder econômico (promover o ajuste recessivo da economia) da mesmíssima forma e com a mesmíssima insensibilidade de Marina Silva ou Aécio Neves.

Será que algum dos dois ousaria entregar a pasta da Fazenda a um Chicago boy tão convicto do seu papel de lambe botas da burguesia quanto Joaquim Levy?
Ele continua fazendo o mesmo que fazia no Bradesco

Será que, com uma Marina Silva no poder, os movimentos sociais engoliriam tão passivamente um ministro que é o mais feroz carrasco dos explorados enquanto garante sono tranquilo para os grandes exploradores (banqueiros em primeiro lugar) e os grandes parasitas (como os herdeiros das maiores fortunas)?

Enfim, mudando um pouco a frase celebre de Marx no 18 brumário de Louis Bonaparte, o fenômeno Lula começou como epopeia, foi evoluindo como farsa e pode até terminar como tragédia, embora o mais provável seja o fim do ciclo lulista (e de sua consequência piorada, Dilma) não com estrondo, mas com um suspiro.

OUTROS TEXTOS RECENTES DO BLOGUE NÁUFRAGO DA UTOPIA (clique p/ abrir):

3 Meninas do Brasil NA DITADURA os filhos delas não nasceram

Querem hoje, os boçais ou defensores da boçalidade ( DITADURA) impugnar uma campanha para a legalização do aborto, ao mesmo tempo em que querem a redução da maioridade penal. 

Na ditadura estes exemplos abaixo (de tantos outros) são de mulheres, presas, torturadas gravidas:

1 - Soledad foi assassinada 
2 - Adriana tasca, teve seu filho sequestrado , faz parte da Mães da praça de maio
3 - Minha mãe, Graça Tardin, presa em 31 de março de 1968, aos 6 meses de gravidez, foi  estuprada e torturada, perdeu seu bebê no útero.

E tem gente ainda defendendo intervenção militar.

BASTA de BOÇAIS, 

LEMBRAR PARA NÃO REPETIR: DITADURA NUNCA MAIS


3 MENINAS DO BRASIL



 

As fotos são de:

Soledad  - entregue aos torturadores gravida, assim mesmo torturada, pelo pai de seu filho Cabo Ancelmo 

Graça Tardin - Presa em colatina ES dia 01 de abril de 1968, aos seis meses de gravidez. Torturada teve a filha morta por 15 dias em seu ventre , por omissão de socorro

Adriana Tasca - Guerrilheira Argentina, presa, torturada e teve seu filho, uma das crianças desaparecidas ( sequestradas e adotada) na ditadura Argentina 

Íntegra resgatada

Quarta-feira, 31 de março de 2010

http://juntosomos-fortes.blogspot.com/2010/03/o-passado-nao-podemos-modificar.html

 
O PASSADO NÃO PODEMOS MODIFICAR.
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 MAS...


 O FUTURO DEVEMOS CONSTRUIR!



Na foto, Nina Cerveira veste a camisa da fundação Major Cerveira, seu pai , morto sem ainda hoje devolverem seu corpo, na Operação Condor 

O golpe de 31 de março de 64 foi desferido por reacionários CIVIS E MILITARES contra as reformas de base propostas por Jango, contra as organizações populares, contra o povo brasileiro. Quatro anos depois, a serpente gerada no ovo saía brutal e faminta para matar, torturar e enlouquecer. Começou o tempo dos brasileiros de todas as idades, homens ou mulheres, jovens ou idosos, encontrarem a sua própria antimatéria.Porque até hoje nenhum órgão de repressão, nenhum torturador , ninguém das elites empresariais comprometidas, explicou para onde foram tantos brasileiros,Sabemos que o Coisa Ruim (Fleury) , que dizem ter morrido no mar ,torturava até crianças na frente dos pais. Sabe-se que outro Coisa Ruim (CABO ANSELMO) entregou até a mulher grávida aos torturadores, que a mataram junto com a criança que ela trazia no ventre. Minha paixão Rosa, que eu chamei de Antígona, meus amigos Eudaldo e Jarbas Pereira ,mortos juntos com Soledad Barrett e Pauline Reischul e mais dois militantes da VPR, meu amigo paraibano Raimundo Ananias que cometeu suicídio como Frei Tito, meu amigo e colega Vladimir Herzog, e tantos outros tinham o corpo exposto como a evidência da violência e brutalidade daqueles dias. E os que desapareceram sem deixar vestígio ? Encontro com suas próprias antimatérias? Sequestrados por ETs?Mortos pela fumaça de óleo diesel que poluem as grandes cidades ( seria esta a causa da morte de Stuart Angel?Por que ele achou de respirar poluição num lugar de ar puro como a Base Aérea do Galeão?))Ou por acidentes de trânsito – como mata o trânsito no Brasil !– como aconteceu com Zuzu Angel, mãe do jovem que respirou poluição. Até hoje, o silêncio, os quartos dos filhos e filhas arrumados esperando a volta (“ó,pedaço de mim/ou metade amputada de mim”) , procurando vencer pelo cansaço como faziam nos dias em que eles desapareceram : “aqui não está”, “não consta prisão”, “vá em tal quartel falar com o comandante Fulano”, era o jogo do empurra-empurra pra cansar, exaurir, desesperar, dar tempo de sumir com os cadáveres. Na barra mais pesada, a televisão, sempre cúmplice com as trevas, divulgava matérias e mais matérias sobre brasileiros que desapareciam , que isso sempre foi normal no país, e vinham também com exemplos do mundo. Tudo para tirar o foco da questão principal : brasileiros seqüestrados pelo próprio Governo sumiam para sempre. Dezenas, centenas, sabe-se lá quantos. Por isso, NÃO VAMOS CONCILIAR. Anistia geral, crescimento econômico, Copa do Mundo, nada nos deve deixar de exigir a prisão dos torturadores e assassinos, alguns já identificados. E pelos nossos verdadeiros heróis recuso o luto.Eles estão vivos em nossa memória, em nossos gestos de hoje, na nossa disposição de levar a tocha adiante, com textos, vídeos, filmes, palestras, passeatas, protestos. Recuso o luto e prefiro cantar com Noel Rosa :“Luto preto é vaidade/nesse funeral de amor/ o meu luto é a saudade/ e a saudade não tem cor”.
Por não ter espaço para citar todos, deixo como símbolos Carlos Marighela, Joaquim Câmara Ferreira, Lamarca, Gregório Bezerra, Odijas Carvalho, Mário Alves,David Capistrano. E as Luísas, Marias, Marilenas, Iaras, Nildas, Rosas, Angelinas, Anatálias, Esmeraldinas, e tantas outras brasileiras que abraçaram a luta pelo socialismo e desapareceram na batalha.
Este texto é também em memória de uma guerreira incansável : a advogada Mércia Albuquerque, que defendia os presos políticos em Pernambuco.( POR -ROBERTO MENEZES.)

 







 

As fotos são de:

Soledad  - entregue aos torturadores gravida, assim mesmo torturada, pelo pai de seu filho Cabo Ancelmo 

Graça Tardin - Presa em colatina ES dia 01 de abril de 1968, aos seis meses de gravidez. Torturada teve a filha morta por 15 dias em seu ventre , por omissão de socorro

Adriana Tasca - Guerrilheira Argentina, presa, torturada e teve seu filho, uma das crianças desaparecidas ( sequestradas e adotada) na ditadura Argentina 


 
Fazei isso por elas: "Dá vergonha viver num mundo que não foi capaz de impedir crimes hediondos contra mulheres indefesas, cometidos por agentes do Estado pagos com o dinheiro do contribuinte. ..."
Rose Nogueira - jornalista, presa em 1969, em São Paulo, onde vive hoje. “Sobe depressa, Miss Brasil’, dizia o torturador enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ‘40 dias’ do parto. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia em seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’”.  

Izabel Fávero – professora, presa em 1970, em Nova Aurora (PR). Hoje, vive no Recife, onde é docente universitária:“Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdá Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choques elétricos, jogo de empurrar e ameaças de estupro. Eu estava grávida de dois meses, e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, pau de arara, ameaça de estupro e insultos, eu abortei. Quando melhorei, voltaram a me torturar”.  

Hecilda Fontelles Veiga - estudante de Ciências Sociais, presa em 1971, em Brasília. Hoje, vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará. Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não deve nascer’. (...) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura cientifica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Aí, levaram-me ao hospital da Guarnição de Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”. 



Dilea Frate - estudante de Jornalismo presa em 1975, em São Paulo. Hoje, vive no Rio de Janeiro, onde é jornalista e escritora. “Dois homens entraram em casa e me sequestraram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”. 

Maria Amélia de Almeida Teles - professora de educação artística presa em 1972, em São Paulo. Hoje é diretora da União de Mulheres de São Paulo. “Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se, sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala quando eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.


Este é o terceiro livro da série ‘Direito à Memória e à Verdade’, editado pela Secretaria de Direitos Humanos (SEDH) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.  O golpe militar de 1964 que envelhece, mas não morre, completa 46 anos HOJE. .... A lembrança de crimes tão monstruosos contra a maternidade, contra a mulher, contra a dignidade feminina, contra a vida, é dolorosa também para quem escreve e para quem lê.... "

POR . José Ribamar Bessa Freire  http://www.taquiprati.com.br/home/index.php . Colabora com esta nossa Agência Assaz Atroz Ilustração: AIPC – Atrocious International Piracy of Cartoons . PressAA .

Conhecer para NUNCA MAIS deixar repetir - Resgatando

Postagem original: 
http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/1980410:BlogPost:29278

A “REVOLUÇÃO” QUE FOI GOLPE E VEIO DE FORA


Laerte Braga


O golpe militar que derrubou o presidente constitucional do Brasil João Goulart foi montado e orquestrado numa parceria ainda existente entre as elites brasileiras e o governo dos Estados Unidos. Os militares foram mero instrumento desses interesses.

Militares de um modo geral têm a tendência de se considerarem um estamento dentro de um contexto político, econômico e gostam, nessa ótica, de guardarem a posição de instância final em qualquer nação do mundo.

Não se misturam, não são segmento, parte de uma sociedade. Acreditam-se detentores da varinha mágica que soluciona todos os problemas, mantém a ordem (que lhes é determinada pelas classes dominantes), a lei nesse quadro e se subordinam ao complexo empresarial tal e qual diagnosticou o escritor norte-americano John dos Passos no início do século XX e no final da década de 50 desse mesmo século, o general e presidente dos EUA Dwight Eisenhower chamou de “complexo militar e empresarial”.

O Brasil das capitanias hereditárias se mantinha num contexto de tempo e espaço em 1964. O governo do presidente Goulart assumiu o compromisso e a bandeira da reforma agrária dentre outras. Era a mais significativa, pois mexia com o setor mais forte de então de uma das elites mais atrasadas (até hoje) dentre todas que se conhece. O latifúndio.

O “empenho”, hoje, de determinados setores hoje em denunciar corrupção se volta da mesma forma contra os que lutam a luta de classes, mas num outro contexto, onde a aliança entre os donos da terra e os donos das “cidades” se mistura no dominar um mundo de espetáculos no controle do maior show de todo o poder e aparato tecnológico, na nova Idade Média, justamente a da tecnologia.

Os castelos de máquinas e botões dos donos e os milhões de servos à volta de toda essa montagem editada e exibida a cada dia na farsa chamada progresso. O chicote deu lugar à comunicação, mas ainda existe em paragens nem tão distantes assim.

Permanece o discurso moralista e udenista travestido de progresso.

O golpe de 1964 começa logo após a derrubada de Vargas e a vitória do marechal Eurico Gaspar Dutra derrotando Eduardo Gomes, em 1945. Aquieta-se com a identificação de Dutra com os setores mais atrasados do Brasil e ressurge com força total em 1950 com a vitória e retorno de Vargas derrotando o mesmo Eduardo Gomes, brigadeiro e criador da Força Aérea Brasileira.

O caráter nacionalista do governo Vargas marcado pela PETROBRAS leva as elites paulistas (principais no grupo de senhores do Brasil) a buscar os quartéis e tal e qual vivandeiras, incensarem o golpe.

Crises pontuais como o decreto do então ministro do Trabalho João Goulart dobrando o valor do salário mínimo exasperam essas elites e encontram eco nas Forças Armadas até que o assassinato de um major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz (o alvo era Carlos Lacerda principal líder da oposição) abre espaços para a derrubada do presidente, da ordem constitucional e isso só não acontece por conta do suicídio de Vargas. O major foi morto por um grupo comandado por um esbirro de Vargas que ainda se imaginava no Estado Novo.

Os militares e as mesmas elites tentam impedir a posse Juscelino Kubistchek, eleito presidente em 1955 derrotando outro chefe militar, Juarez Távora, mas prevalece o caráter legalista de setores das Forças Armadas liderados pelo marechal Henrique Dufles Baptista Teixeira Lott. o último chefe militar brasileiro a ter compromisso real e efetivo com o processo democrático, no sentido lato da palavra democracia.

No palco da histeria Carlos Lacerda, principal protagonista dessa aliança militares/elites e interesses norte-americanos.

Contra JK, como ficou conhecido Juscelino, duas tentativas fracassadas de golpe. Jacareacanga e Aragarças.

Jânio Quadros é eleito e finalmente os donos imaginam ter chegado ao poder. A irresponsabilidade e o alcoolismo do presidente terminam um golpe frustrado e mal planejado, tudo numa renúncia histriônica de um líder que entre outras coisas preocupou-se com proibir brigas de galo, biquínis em desfile de miss, mesmo tendo figuras de porte indiscutível em seu governo. Pedroso Horta, Castro Neves, Afonso Arinos, respectivamente ministros da Justiça, Trabalho e Relações Exteriores.

Começa aí o desfecho de um filme visto em toda a América Latina, as ditaduras militares ao sabor e conveniência dos EUA e dos empresários e latifundiários.

Militares são os executores da barbárie e da sociedade de privilégios, escudados no discurso da ordem, da lei, que executam pela tortura, prisões indiscriminadas, assassinatos, um conjunto de leis draconianas, enquanto o País se transforma num imenso latifúndio dos senhores que até 1888 mantinham a escravidão explicita e clara.

Os chamados ministros militares, Odílio Denys, Grum Moss e Sílvio Heck (Guerra, Aeronáutica e Marinha) se opõem à posse do vice, João Goulart, convocam o amorfo presidente da Câmara Mazili para assumir provisoriamente o governo e são enfrentados pela resistência do governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, um dos militares ainda legalistas, Machado Lopes, pela pressão popular. Jango toma posse num grande acordo que introduz o parlamentarismo no Brasil. Retoma os poderes presidencialistas em 1963, é derrubado em 1964 logo após decretos que marcam a reforma agrária, a remessa de lucros para o exterior, abrem espaços para a reforma urbana, tanto quanto no curso do seu curto período de governo forças populares ocupam um espaço político que abre outro espaço, o de continuidade de um processo que contrariava todos os interesses dos donos.

Os militares são os executores do golpe a que chamam de “revolução”. Montados na borduna e subordinados a essas forças retrógradas atiram o Brasil num período de trevas, de violência, de barbárie e vinte anos depois se constata que não levaram o País a lugar algum que não construir um fosso que permanece aberto na intransigência de revelar toda a história real dessa farsa dolorosa e que custou e custa ao Brasil e brasileiros numa certa e boa medida a perda da própria identidade.

Cortou-se o presente de 1964 e as páginas da história se mantêm ocultas em 2008. Não existe futuro sem passado. O governo Lula, malgrado o caráter de equilibrista do presidente prova desse veneno nas tímidas conquistas sociais que, por sua vez, ensejam espaços para avanços mais significativos, até numa realidade de tempo diversa da de 1964 quando a guerra fria era entre duas potências e hoje o “inimigo” leva o rótulo de “terrorista” no mundo de um senhor que fala com Deus. Montado em poderoso arsenal (capaz de destruir o planeta cem vezes) não muda o estilo, só os meios de dominação.

O grande diretor do golpe das elites em 1964 foi o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Lincoln Gordon e o contra regra o general norte-americano Vernon Walthers, adido militar daquele país em sua embaixada aqui. Carlos Lacerda foi só o ato, o canastrão, logo dispensado por essa Hollywood cruel e insensível.

Não houve revolução alguma em 1964. Só um golpe, uma quartelada e essa constatação não é de ódio, de revolta é apenas da realidade que marcou elites e forças armadas com uma nódoa de estupidez e boçalidade que se estendeu a toda a América Latina.

Às elites essa nódoa não importa, pois elites são apátridas e pútridas em qualquer lugar do mundo. Aos militares cobre de vergonha visível na tentativa de esconder a história. E se perceberem, lógico, mero instrumento, mera borduna de barões de terra e do dinheiro.
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