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sábado, 12 de maio de 2018

O Imperador Magá no portão do Paraíso


O Imperador Magá no portão do Paraíso

por Fernando Soares Campos
 
"Eu tenho o governador, os três senadores, 95% dos prefeitos, 30 dos 39 deputados federais, e me mostre alguém que tenha um poder como este onde faz política." 
Senador Antonio Carlos Magalhães, (1927-2007),
referindo-se à força política que possuía no Estado da Bahia. 
"Valor Econômico", 02/05/2000.
 
Morre o Imperador Magá, cujo nome de batismo foi Antônio Carlos, do clã dos Magalhães da Bahia de Todos os Santos e Pecadores Aliados, também conhecido como ACM ou Toninho Malvadeza, dono daquela capitania hereditária no Nordeste do Brasil. O falecido se apresenta nos portões do Paraíso, acreditando merecer o descanso eterno entre os justos. 
 
São Pedro consulta o Livro da Vida e acaba informando àquela alma senadora que os registros sobre a sua passagem na Terra não lhe são favoráveis. 
 
São Pedro: — Vossa ex-Excelência queira nos desculpar, mas aqui no Livro da Vida consta que o senhor cometeu seis dos sete pecados capitais: gula, luxúria, avareza, ira, soberba e vaidade, portanto não podemos admitir que uma pessoa assim possa usufruir os mesmos direitos que, por exemplo, Madre Teresa de Calcutá conquistou. Não dá para admiti-lo aqui entre os justos. Sorry. 
 
O Imperador Magá faz a sua defesa: 
 
Magá: — Como meu santo falou, cometi seis dos sete pecados capitais: gula, luxúria, avareza, ira, soberba e vaidade, mas não pequei pelo sétimo, a preguiça. Trabalhei feito um louco para obter meu primeiro mandato de deputado federal, labutei ainda mais para assumir a governança do meu Estado em três mandatos, mas nem mesmo o primeiro, uma concessão do governo militar, foi tão fácil de conseguir. Pra chegar ao Senado, Vossa Santidade sabe quanto suor temos que verter. Lá embaixo me ensinaram que quem trabalha merece descanso, assim sendo, na condição de secretário de Jota Cristo, Vossa Apostólica criatura conhece o Sermão da Montanha, e lá foi dito: "Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus"E, pelo muito que trabalhei, sei que sou merecedor de grande recompensa.
 
São Pedro: — É um caso a ser analisado minuciosamente, é um daqueles que a gente precisa consultar o Chefe, pois, apesar dessa sua virtude, a de ser um trabalhador incansável, aqui está escrito que o senhor apoiou uma mórbida ditadura militar, em que muitos inocentes foram torturados e até friamente assassinados.
 
Magá: — Não nego, pois não sou de negar o que realmente fiz. Posso ter apoiado essa tal ditadura, mas depois dela, já que não quiseram fazer de mim o chefe da nação brasileira, eu poderia ter mandado matar o presidente da República, mas não mandei; poderia ter mandado, como Hitler fez com outros povos, muitos milhões de nordestinos para os fornos crematórios, mas não mandei; poderia ter invadido o Piauí, como Bush no Iraque, mas não invadi; poderia ter transformado Sergipe em territórios ocupados pelo meu reino, mas não transformei... Todo mundo sabe que uma das maiores virtudes do ser humano está no fato de se esforçar e evitar o cometimento de atos que possam trazer dor e sofrimento ao seu semelhante. E assim eu me comportei na maioria das vezes em que sentia vontade de livrar alguém do inferno terrestre e mandá-lo para o inferno além-túmulo...
 
São Pedro (cofiando a barba): — Hum! Deixa eu dar mais uma espiadinha no Livro da Vida  — folheia algumas páginas e se detém no capítulo "Brasil", corre o dedo verificando os subitens "Bahia" e "Governos", até identificar novamente a biografia de ACM —. É, aqui só fala dos pecados cometidos, não cita aqueles que, por algum motivo que só Deus sabe, foram evitados ou impossibilitados de serem realizados...
 
ACM: — Então, com a vossa autoridade papal, é possível que já possa reconhecer que tenho cá os meus méritos...
 
São Pedro: — Devagar com o andor, que o santo é de barro! O nosso regulamento interno estabelece que, para ser admitido nesta sublime morada do Senhor, a alma pleiteante deve ter sido muito corajosa nos tempos que viveu na Terra...
 
ACM (rindo): — Se fosse só por isso, meu santo, a gente nem precisava ter jogado tanta conversa fora, pois todo mundo sabe que fui uma pessoa arrojada, fiz da coragem o lema de minha vida.
 
São Pedro: — Não duvido, aqui diz até que chegou esmurrar a mesa do gabinete do presidente da República, com ele sentado do outro lado.
 
ACM: — Mas isso aí não tem muito merecimento, pois o presidente era o FHC, um frouxo, que comia na minha mão. Eu já disse numa entrevista que, com ele, só não fiz sexo — gargalhando.
 
São Pedro: — Contenha-se, ex-Excelência Senatorial, guarde essas suas indiscretas afirmações para quando estiver conversando com seus parceiros demistas e tucanos.
 
ACM: — Como assim, venerável criatura?! Se vou ser admitido no Paraíso, provavelmente, a partir de agora, não terei mais oportunidade de estar cara a cara com nenhum daqueles corruptos! Por tudo que aqui discutimos, podemos concluir que tenho direito à entrada no Céu garantido pela Legislação Divina, que estabelece a conduta moral de ser humano na Terra...
 
São Pedro: — Pode ser...
 
ACM: — E, além de tudo que discutimos, uma coisa está chamando a minha atenção.
 
São Pedro: O quê? 
 
ACM: — Olha lá, meu santo — aponta para um velhinho que passeia pelos jardins do Éden. — Tá vendo aquele velhinho ali? 
 
O Divino Porteiro do Paraíso avista o velhinho passeando e tocando sua harpa romana. 
 
São Pedro: — Sim, é o Tancredo Neves. E daí? 
 
ACM: — E daí que ele foi advogado e político. Chegou até a ser eleito presidente da República por um colégio eleitoral. Então, se ele entrou, eu também tenho meus direitos. 
 
São Pedro (agora coçando a barba): — Eu já falei pra Jesus que a jurisprudência vai acabar transformando isso aqui num inferno! 
 

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sábado, 21 de abril de 2018

UNE Volante: Resistência estudantil por democracia, soberania nacional e liberdade



"Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes
sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a
resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade
de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que
defendemos a democracia"


No mês de abril, que marca os 54 anos do golpe militar de 1964 e que o golpe jurídico-parlamentar-midiático de 2016 completa dois anos, a União Nacional dos Estudantes realiza a reedição da UNE Volante.

Na década de 60, essa iniciativa cumpriu um papel fundamental na organização dos estudantes nas universidades - que anos depois foram fundamentais na resistência à ditadura. Dessa vez, ao enfrentar os desafios da nossa geração, organizaremos a resistência contra o golpe que está em curso na defesa das eleições livres e democráticas e na construção do debate sobre o projeto de Brasil que os estudantes defendem.

No ano de 1962, a UNE Volante, junto com o Centro Popular de Cultura (CPC), percorreu o país e debateu sobre a reforma universitária no bojo das reformas de base propostas pelo governo Jango. Nesse processo, com muita arte, cultura e diálogo com a comunidade acadêmica, foi possível produzir uma importante reflexão sobre a realidade nacional, suas contradições e potencialidades. Uma das principais bandeiras do momento foi a reivindicação da paridade nos conselhos universitários, que resultou numa grande greve estudantil conhecida como “greve do 1/3”.

Nesse período a universidade era bem diferente da que conhecemos hoje. Exemplo disso é a peça teatral do CPC, “Auto dos 99”, que criticava o fato de apenas 1% da juventude brasileira estar nas universidades.

A UNE volante volta a percorrer o país numa realidade diferente; a universidade brasileira passou por um processo de maior democratização e popularização através das políticas educacionais dos governos Lula e Dilma. Entretanto, há um caminho longo até a universidade que queremos. As universidades ainda preservam muitos dilemas da nossa realidade social, econômica, cultural e política; apenas 15% da juventude acessa a universidade sendo que cerca de 70% via instituições particulares.

Além disso, também temos os novos dilemas do nosso tempo. Após o golpe de 2016 uma série de ameaças à existência da educação pública e gratuita a nível superior estão postas. Com a Emenda Constitucional 95, que congela os gastos sociais por 20 anos, todo processo de ampliação do acesso ao ensino superior está ameaçado, assim como a permanência daqueles estudantes mais pobres que precisam de assistência estudantil para concluir sua graduação.

Somam-se a esse desmonte os ataques à autonomia universitária e livre produção do conhecimento que aconteceram na Universidade Federal de Santa Catarina e na Universidade Federal de Minas Gerais, com um espetáculo midiático visando a desmoralização das instituições públicas. Também a interferência do Ministério Público Federal nas universidades que aprovaram a disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, a exemplo da Universidade de Brasília, com o intuito de censurar o pensamento crítico na universidade.

Esse avanço de uma política retrógrada não se restringe às universidades. No seio da sociedade vivenciamos mudanças que retiram direitos trabalhistas historicamente conquistados, que desnacionalizam nossas empresas, entregam nossas riquezas naturais e violam a constituição.

Temos um judiciário partidarizado e seletivo, com a prisão de um ex-presidente sem provas e sem transitado e julgado. Vivemos tempos de avanço do ódio, do fascismo, da intolerância e de uma grave crise econômica, política e institucional.

Nossos dilemas nas universidades não estão isolados da crise na sociedade. Por isso as saídas para os problemas do país também estão nas mãos dos estudantes.

Não é novidade a participação decisiva dos estudantes nas grandes transformações do nosso país, na defesa da democracia, da justiça e da soberania. Nesse momento, cabe a nós assumirmos a tarefa de restabelecer a democracia, de resistir por nossas conquistas e direitos e de lutar pelo Brasil que sonhamos: para os brasileiros e brasileiras.

Vamos percorrer o país a partir de 20 de abril começando pela região norte, na Universidade Federal do Pará. De lá, seguiremos por dois meses, realizando debates e festivais culturais de resistência em todas as regiões do país.

Nosso objetivo é proporcionar a troca de ideias entre os estudantes sobre o projeto de país e de universidade que queremos para construir a resistência e a reação estudantil. Nesse sentido, lutar pela liberdade de Lula e seu direito de se candidatar é um dever para nós que defendemos a democracia.

Vamos espalhar essa ideia através dos comitês pela liberdade de Lula que criaremos em todo país. Não baixaremos a cabeça diante da sanha golpista e, seguindo o exemplo de Helenira Rezende e Honestino Guimarães, seremos a chama que incendeia o país por democracia, justiça e liberdade!

*Jessy Dayane é militante do Levante Popular da Juventude. Sergipana, Jessy estuda Direito em São Paulo e milita no Movimento Estudantil. Hoje, conduz a vice-presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Edição: Daniela Stefano - Brasil de Fato

Leia também:

Cineasta produz novo documentário sobre papel da Globo no golpe

LULA MARQUES: <p>Brasília- DF 12-04-2016 Presidenta, Dilma durante com Encontro da Educação pela Democracia Palácio do PlanaltoFoto Lula Marques/Agência PT</p>


John Ellis, produtor do conhecido documentário Muito além do Cidadão Kane, está fazendo um Crowndfunding para produzir um novo documentário denunciando a atuação da Rede Globo na democracia brasileira; "Estou chocado que tanto tempo depois, a TV Globo continue se comportando da mesma forma em relação a política brasileira" - 247

Globo prendeu Lula, mas não prende o grito na garganta dos brasileiros



Embora tenha conseguido sequestrar o Poder Judiciário para levar adiante seu projeto de golpear a democracia e pender o ex-presidente Lula, a TV Globo não consegue aprisionar o que os brasileiros pensam e, muitas vezes, gritam; dois casos recentes provam isso: a vencedora do programa Big Brother Brasil (BBB), Gleisi Damasceno, do Acre, gritou "Lula livre" ao vivo quando deixou a casa e o apresentador da emissora Chico Pinheiro teve um áudio vazado em que ele demonstra solidariedade a Lula e faz críticas a Sergio Moro e à própria cobertura da Globo - 247

segunda-feira, 5 de março de 2018

Crônicas da minha aldeia



Crônicas da minha aldeia

por Fernando Soares Campos

"Fale de sua aldeia e estará falando do mundo" - Leon Tolstói

O próprio Tolstói também disse: “Quando as pessoas falam de forma muito elaborada e sofisticada, ou querem contar uma mentira ou querem admirar a si mesmas. Ninguém deve acreditar em tais pessoas. A fala boa é sempre clara, inteligente e compreendida por todos.” 


As histórias de batalhas e guerras, assim como as da política, das sociedades, das religiões, das revoluções, das civilizações, enfim, as histórias da humanidade, contadas pelos vencedores, têm quase sempre um falso brilho, em que se entremeiam ações supostamente heroicas com um aspirado moral superior e pretendida moral alicerçada em consagrados princípios éticos. Geralmente são redigidas de forma pretensamente "sofisticada", em linguagem rebuscada e até mesmo com argumentos inconclusivos, privando o leitor de uma clara compreensão, e este, por sua vez, costuma interpretar os textos sob suas ideologias e valores, num faz-de-conta que entendeu.

Porém, lendo o livro de crônicas "Santana: vivendo e contando histórias", do Dr. José Avelar Alécio, pediatra, com especialização em Saúde Pública, Medicina da Família e Homeopatia, lançado ano passado pelo SWA Instituto Educacional Ltda., reconhecemos, nas considerações de Tolstói, uma completa identificação com os escritos do autor, que se dedica a traçar alguns quadros históricos de nossa "aldeia", a cidade de Santana do Ipanema, localizada no Médio Sertão de Alagoas. Avelar o faz de forma "clara, inteligente e compreendida por todos", como bem recomenda o escritor russo.

"Fale de sua aldeia e estará falando do mundo", leia as crônicas de José Avelar e estará lendo histórias do comportamento humano em qualquer parte do Planeta. Com uma grande diferença em relação aos historiadores oficiais: Avelar não tem o objetivo de elevar personalidades à condição de heróis, "com um aspirado moral superior e pretendida moral alicerçada em consagrados princípios éticos". Entretanto ele reconhece naturalmente as contribuições de muitos santanenses para o progresso da cidade, nos âmbitos educacional, cultural, empresarial e, acima de tudo, moral, com exemplos de empreendedorismo social e luta reivindicatória. 

Os textos do médico-escritor José Avelar despertam o leitor... melhor, conduz o leitor para além da mera curiosidade. Pessoas como eu, nascidos e criados naquela cidade, testemunhas de muitos dos casos contatados no livro, em determinados momentos ficamos absortos, interrompemos a leitura e meditamos sobre nosso próprio papel na sociedade, seja na condição de pai, filho, amigo, estudante, trabalhador ou, como a maioria dos meus amigos, retirantes, ausentes, saudosos, aventureiros, dispersos pelo mundo afora.

No primeiro capítulo, intitulado "Santana dos anos sessenta e setenta", me detive na crônica "Os Cinemas de Santana". Tivemos três cinemas na cidade: O Cine Glória (o mais antigo), o Alvorada e o Cine Vanger. O primeiro ficava próximo à minha casa, no bairro do Monumento, o segundo, no centro da cidade, e o terceiro no bairro da Camoxinga. 

Avelar lembra que "O sinal sonoro que antecedia o início da sessão era aguardado por todos". Chamávamos de "prefixo". No Cine Glória tal prefixo era executado ao som de "Tema de Lara", um dos primeiros filmes exibidos ali, quando o cinema passou da propriedade de seu Domingos, para seu Tibúrcio Soares. Este foi o mais maravilhoso de todos os donos de cinema da cidade: bastava iniciar a sessão, cinema semi-lotado, a gente, guris na faixa de 10 a 12 anos, se esticava na bilheteria e pedia para entrar de graça. Ele nunca negava: fazia sinal para o porteiro e mandava entrar um por um. Em casa, geralmente a gente só recebia "verba" para uma sessão semanal; na maioria das vezes, para a matinê dos domingos.

Lembro-me de ter ido assistir a alguns filmes em companhia de minha mãe, mas o que mais me marcou foi "Diana, a caçadora". Em determinado momento, quando eu já estava ficando excitado com a imagem de uma mulher nua na tela (a atriz posando para um escultor), minha mãe estendeu o braço e tapou minha vista com a mão. 

Depois de pesquisa sobre esse filme no Google, encontrei o seguinte texto : "É sintomático que o primeiro artigo de Drummond tenha sido sobre um filme — Diana, a caçadora — em que discute a questão da moral no cinema, pois essa Diana aparece totalmente nua, tendo provocado severos protestos, tanto de jovens quanto de velhos, no Cinema Pathé, de Belo Horizonte". 

O moderníssimo Cine Alvorada, tela panorâmica, produções em CinemaScope, o fino do fino. Um empreendimento do generoso Tibúrcio Soares. Avelar lembra que nas paredes da sala de exibição existiam pinturas modernas retratando aspectos regionais. O pintor foi meu amigo e vizinho José Lima, Zezinho de dona Maria Ourives, irmão de Alberto "Benga", uma família de artistas.

Finalmente o Cine Vanger. Este não tinha lá uma boa reputação, pois funcionava numa garagem e apelava para exibições de filmes pornôs importados, os chamados "suecos". Acredito que, por isso mesmo, Avelar, que morava nas proximidades daquele cinema, deixa bem claro: "Nunca assisti a filme no Cine Vanger" (risos).

"Santana: vivendo e contando histórias", um livro de crônicas para santanenses ou qualquer outro habitante do Planeta, pois, segundo Leon Tolstói, "Fale de sua aldeia e estará falando do mundo".

Obrigado, Avelar, pela belíssima e importante obra.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Desmonte de uma Nação, por Pedro Augusto Pinho

 
Foto de Ricardo Stuckert
O grande evento deste início do ano no Brasil é o julgamento do ex Presidente Luis Inácio Lula da Silva, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre.



O verdadeiramente kafikiano, dentro de uma peça de Ionesco, é que não há crime para que ocorra este julgamento. Não pensem os caros leitores que estou fazendo a defesa de quem quer que seja. Apenas analiso a questão com a ótica da pretensa racionalidade.



Abriu-se um processo – hoje de conhecimento de todos, pelo interesse dos Estados Unidos da América (EUA), do qual trataremos adiante – para julgar a corrupção política usando a maior empresa brasileira: Petrobrás.



Havia e há o nítido interesse em demolir a Petrobrás e criminalizar o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Presidente Lula, em especial.



Apesar de todas as pressões e investigações, que tiveram início ainda em 2003, com o denominado Mensalão, nenhum fato, nenhum documento, nenhuma prova, judicialmente aceita, colocou o nome do Lula em causa.



Apenas, para usar a palavra de Promotor do Ministério Público Federal (MPF), "convicção". E, com base em convicção foi atribuído um apartamento em Guarujá, São Paulo, mesmo com certidão contrária do Registro de Imóveis e com a hipoteca à Caixa Econômica Federal, ao Presidente Lula.



Seria, dentro desta convicção, o pagamento por ganho ilegítimo proporcionado pelo Presidente Lula à OAS, segundo denúncia do empreiteiro Léo Pinheiro.



Mas se o apartamento não está no nome de Lula nem de qualquer outra pessoa, senão da própria construtora do imóvel, e, ainda mais, hipotecado à instituição financeira, é preciso muita volta para chegar a esta relação ilícita. No processo não se encontra qualquer indício da ilicitude.



Logo este julgamento do TRF-4 nada mais é do que uma farsa. Mais uma farsa com que o judiciário nos brinda, com propaganda do Sistema Globo de entretenimento, de outras emissoras de rádio e televisão e de publicações, além do já referido apoio dos órgãos de Estado dos EUA.



Há duas vertentes que devem ser examinadas neste caso.



A primeira, muito bem analisada pelo grande sociólogo Jessé Souza, diz respeito à elite que governa o Brasil desde 1822. É uma classe escravagista, que odeia o pobre, o preto e os próprios brasileiros, tem seus olhos unicamente voltados para o exterior, e mantém o País na ignorância, pelo domínio da comunicação de massa e, o que é extremamente danoso, pela pedagogia colonial, desde cedo instalada na mente dos brasileiros.



A segunda diz respeito ao interesse dos EUA no petróleo brasileiro e na extinção da Petrobrás.



É preciso que o prezado leitor tenha com clareza um conhecimento sobre a energia. Não é preciso dizer da importância da energia no mundo industrial ou pós industrial. Ela esteve acompanhando as transformações da sociedade e sendo usada conforme a disponibilidade e necessidade das nações mais econômica e militarmente desenvolvidas.



Veja o prezado. A revolução industrial começou na Inglaterra que dispunha de carvão. E foi exatamente o carvão o principal insumo energético até que os EUA entraram na disputa. E qual energia primária dispunha os EUA? Petróleo. Até 1925 os EUA foram autossuficientes em petróleo. O que ocorre então? Firma-se, em 1928, uma divisão do mundo entre as sete maiores petroleiras de então – cinco estadunidenses (Exxon, Mobil, Texaco, Gulf e Chevron, nomes mais recentes) – o Acordo de Achnacarry.



Hoje, quando se discute a energia limpa, a poluição atmosférica, o efeito estufa, sabem qual as duas maiores fontes produtoras de energia primária no mundo? Isto mesmo: petróleo e carvão.



Não é meu objetivo, nesta artigo, discorrer sobre energia, mas sobre o interesse na Petrobrás – a empresa de maior know how mundial em exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultra profundas – que descobriu a única nova província petrolífera nos últimos quarenta anos: o pré-sal.



O petróleo começa a rarear na Península Arábica, onde as petroleiras estadunidenses tem o domínio e, como agravante, o petrodólar, que vem garantindo a moeda estadunidense, começa a ser substituído por outras moedas, em especial o yuan chinês. Junte a redução das reservas no mundo árabe e a ameaça à moeda e terão a extraordinária importância da Petrobrás para a geopolítica dos EUA.



A Lava Jato surgiu, portanto, dos dois interesses: desta elite, que Darcy Ribeiro chamava de cruel e capaz, e da geopolítica dos EUA, para controlar nosso petróleo e defender sua moeda. Uma vez que o Mensalão não atingiu estes objetivos.



Mas o leitor imagina que a maioria da população brasileira tem este discernimento? Claro que não. Recebo alarmado, a notícia de que a presença de três cubanos, talvez até antiFidel, em turismo no Rio Grande do Sul, foi associada à guerra civil que o julgamento do Lula desencadearia, e – oh! Céus! – contaria com ajuda dos terroristas islâmicos. Quando todos os jornais estrangeiros já nos informaram que o Serviço Secreto Britânico (MI6) e a Agência Central de Inteligência estadunidense (CIA) são os principais financiadores e mentores do "terrorismo muçulmano".



Haja mente perversa e colonizada para demolir o Brasil!



Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

Jornal GGN

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Brilhantes mentes sombrias do Majestoso Império de Absurdil





por Fern
ando Soares Campos

Ali, precisamente em alguma área entre as regiões ártica e antártica, existia um reino do tipo que só conhecemos em contos de fada: o extraordinariamente vulgar Majestoso Império de Absurdil, governado, durante muitos séculos, pela dinastia Bundaleone. Ferdinando Bundaleone XXIV, o último imperador de Absurdil, era um monarca tão vaidoso que obrigou os seus súditos a reverenciá-Lo até nos pronomes oblíquos.

Sua Presunçosa Majestade parecia feliz com os resultados da política econômico-financeira do reino, seu fabuloso tesouro pessoal era invejado pelos soberanos de todo o mundo. Contudo Sua Faustuosa Majestade andava com o seu augusto saco cheio da monótona rotina: desvirginar as donzelas debutantes, assistir a enforcamento de ladrão de galinha, praticar tiro ao alvo em escravos e alimentar os crocodilos do fosso do castelo com bebês recém-nascidos, como forma de controle da natalidade.

Quase todos os dias, Bundaleone visitava o Museu Imperial, mesmo que fosse apenas para uma rápida passagem pelo setor Cabeças dos Traidores, onde Sua Macabra Majestade apreciava os rostos aterrorizados de inimigos decapitados — as cabeças eram mergulhadas em uma solução conservante e exibidas em vasos cristalinos.

Enfadado com a mesmice do seu dia-a-dia, Sua Entediada Majestade mandou vir à Corte o seu ministro da Ignorância e Barbaria e ordenou que este lhe apresentasse um eficiente programa de manutenção do analfabetismo, pois um relatório do Serviço Absurdileiro de Informações e Delação Obrigatória (Sabido) indicava suspeitas de que alguns trabalhadores estavam aprendendo a ler e escrever. O ministro retirou-se garantindo à Sua Estúpida Majestade que iria intensificar todos os esforços do seu ministério para elaborar o mais eficiente plano de incremento da ignorância e barbaria de todos os tempos, em Absurdil.

Em seguida, Bundaleone convocou o seu ministro das Desinformações. Deste, ele exigiu que fossem tomadas providências para conter a queda de audiência do único canal de televisão do reino, a estatal TV Cubo. Relatório ultra-secreto do Sabido informava à Sua Esclarecida Majestade que, nas segundas-feiras, apenas 99,99% dos televisores permaneciam ligados até a meia-noite. O ministro tranquilizou Sua Preocupada Majestade, garantindo-lhe que apresentaria um infalível plano, desenvolvido em convênio com o Ministério da Aculturação, para obrigar todos os súditos a assistirem à programação da emissora estatal, durante todo o tempo em que não estivessem trabalhando no corte e moagem de cana, a monocultura do vulgarmente extraordinário Majestoso Império de Absurdil.

Finalmente, Sua Injustiçosa Majestade fez vir à sua presença o ministro da Injustiça. A este Bundaleone cobrou mais empenho no desrespeito aos direitos humanos; do contrário, ele próprio, o ministro, seria também chicoteado em praça pública, como qualquer dos súditos que eram mensalmente punidos por terem nascido miseráveis e não conseguirem alcançar o status de pobre ao se tornarem adultos, conforme determinava a lei; feito que qualquer trabalhador poderia facilmente realizar, bastando apenas triplicar o seu volume diário de corte de cana, durante a mesma jornada de trabalho a que estava submetido desde os cinco anos de idade: 20 horas diárias.

No dia seguinte os maquiavélicos ministros compareceram à Corte com os mais sórdidos planos. Os programas propostos para o incremento da ignorância e barbaria, desinformação e violação dos direitos humanos eram tão repulsivos que encantaram Sua Repugnante Majestade Bundaleone XXIV.

— Jamais, em nenhum outro reino, foi implementado um plano tão abominável! — festejou Sua Execrável Majestade. — A ignorância e a injustiça finalmente triunfarão para sempre no meu reino! — sentenciou.

Emocionado, Bundaleone observou seus desprezíveis assessores e sentiu a necessidade de recompensá-los pelos seus esforços. Súbito, brotou uma brilhante idéia sombria da saudável mente psicótica de Sua Mórbida Majestade. Assim, Ferdinando Bundaleone XXIV informou aos seus sabujos auxiliares que lhes prestaria uma homenagem sem precedente na História do Majestoso Império de Absurdil.

Os ministros regozijaram-se com o vergonhoso reconhecimento do soberano desavergonhado e, num gesto coreograficamente ensaiado, ajoelharam-se e, como mandava a tradição, beijaram os pés do escroto monarca, antecipadamente agradecendo-lhe a homenagem que lhes seria prestada.

Bundaleone mandou construir um suntuoso salão anexo ao Museu Imperial. Para a inauguração deste novo espaço cultural, Sua Diabólica Majestade mandou decapitar os três ministros autores dos eficientes planos de incremento da ignorância e barbaria, desinformação e injustiça. As cabeças dos homenageados, mergulhadas em solução conservante, acondicionadas em enormes vasos cristalinos, inauguraram a seção Brilhantes Mentes Sombrias do Majestoso Império de Absurdil.

***
Moral indecorosa: Em alguns casos, é prudente mandar representantes a eventos em que certos governantes pretendam homenageá-lo. 


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domingo, 26 de novembro de 2017

CUT e demais centrais convocam greve nacional contra Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista

Brasil vai parar no dia 5 de dezembro e derrotar a reforma golpista

A CUT e demais centrais - Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central,
CSB, Intersindical, CGTB e CSP-Conlutas – decidiram realizar, no dia 5
de dezembro, uma Greve Nacional em Defesa da Previdência e dos Direitos.



A nova proposta de desmonte da Previdência Social apresentada pelo
governo do ilegítimo Michel Temer (PMDB-SP) e que deve ser votada no dia
6 de dezembro, é mais perversa que a anterior. E, ao contrário da
propaganda do governo, não corta privilégios, como as altas
aposentadorias dos parlamentares, ataca apenas a classe trabalhadora que
terá de trabalhar mais, ganhar menos e, se quiser receber o valor
integral da aposentadoria, contribuir durante 40 anos, sem ficar nenhum
período desempregado.



Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, o desmonte da Previdência
agrava ainda mais a situação dos trabalhadores que já foram duramente
atacados com o desmonte da CLT.

“A reforma Trabalhista legalizou o bico e muitos trabalhadores
perderam os direitos e, em muitos casos, receberão menos do que um
salário mínimo. Se já estava quase impossível contribuir para se
aposentar, imagine com essa nova proposta de reforma da Previdência”,
diz Vagner.



O secretário-Geral da CUT, Sérgio Nobre, lembra que a reforma
Trabalhista pode ficar ainda pior, tendo em vista as mais de 800 emendas
apresentadas à MP de Temer que altera a nova lei trabalhista aprovada
este ano. “Imagine somar a essa tragédia a possibilidade de trabalhar a
vida inteira e não se aposentar”.

É por isso que a greve nacional deve contar com o apoio, mobilização e
participação de todos/as trabalhadores/as. “Todo brasileiro
independentemente da categoria tem motivo de sobra para cruzar os braços
e ir às ruas no dia 5 de dezembro. Todos sofremos com o desmonte da
previdência”, argumenta Sérgio.

A partir da semana que vem, diz Sérgio, vamos realizar amplas
mobilizações nas bases – assembleias, atos, debates e outras atividades –
para alertar, informa e mobilizar a classe trabalhadora do País sobre a
importância da participação na greve que é contra a reforma da
Previdência Social e pelos direitos.

Da Central Única dos Trabalhadores


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

As encrencas da Globo com os escândalos da FIFA, por Luis Nassif


O elo da corrente que poderá jogar a Globo nas redes de um poder imune às interferências políticas: a Justiça norte-americana




Primeira Encrenca



Das 11 pessoas com pedido de indiciamento à PGR no relatório da CPI da FIFA, Marco Polo Del Nero, José Maria Marin, Ricardo Teixeira, Kleber Leite e J. Hawilla são beneficiários diretos do esquema que envolvia a Globo.



Antônio Osório e Carlos Eugênio Lopes tinham cargos de diretores da CBF (o primeiro financeiro e o segundo jurídico) – portanto também executavam os planos criminosos.



Outros dois são políticos: o deputado federal Marcus Antonio Vicente (PP) da bancada da bola, atuante na defesa da CBF e seus “negócios” no Congresso. O outro é Gustavo Feijó, que no relatório é apontado como recebedor de dinheiro para campanha eleitoral – nada a ver com a Globo ou algo relacionado a contratos.​



Como era de se esperar, Feijó foi o único que sofreu uma ação do MP. Foi no início de junho último, conforme artigo do nosso colunista Augusto Diniz (clique aqui)



O Ministério Público Federal investiu contra Feijó poucos depois da prisão do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rossel pelo Ministério Público espanhol. O inquérito espanhol apontou Ricardo Teixeira como chefe e beneficiário da organização criminosa. A prisão de Feijó pareceu, a muitos, uma ação para evitar críticas ao MPF brasileiro de seus colegas espanhóis e do próprio FBI, que não escondia o desconforto com a falta de ação dos procuradores brasileiros.



Após o estouro do caso FIFA, em maio de 2015, só teve mais uma ação contra envolvidos: uma busca e apreensão de documentos de Kleber Leite, no Rio de Janeiro, a pedido da Justiça norte-americana. Acabaram retidos aqui por decisão da Justiça do Rio de Janeiro.



Segunda Encrenca



Assim que estourou o escândalo, em maio de 2015 a Globo tratou de demitir seu principal lobista, Marcelo Campos Pinto, mais três executivos que participaram diretamente dos esquemas de propinas.



Em comunicado oficial, Roberto Irineu Marinho anunciou a aposentadoria de Marcelo. Na época, estudo do BBA Itau indicavam que a Globo obteve um faturamento publicitário de R$ 1,21 bilhão com os patrocínios dos campeonatos.



Todos os executivos receberam uma boa bolada com duas condições: não trabalhar para nenhum concorrente da Globo; e assumir a culpa, caso as investigações sobre a corrupção na CBF chegasse até a Globo.



Três assinaram. Marcelo se recusou.



É ele o elo da corrente que poderá jogar a Globo nas redes de um poder imune às interferências políticas: a Justiça norte-americana.



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PT pede inquérito contra Globo por escândalo nos EUA: vai ser pedagógico, diz

Jornal GGN - O PT entrou nesta quinta (16) com uma representação criminal na Procuradoria Geral da República, solicitando que a Rede Globo seja investigada por conta das revelações de que teria pago propina para obter os direitos à transmissão de torneios internacionais de futebol. Em nota, o partido disse que se Lula, com base em falas de delatores, é alvo de inúmeras investigações, a emissora então merece o mesmo tratamento por parte do Ministério Público Federal.



Para o PT, a investigação contra a Globo no Brasil é uma medida necessária e pedagógica, para o grupo da família Marinho e para o resto da grande mídia. "Em primeiro lugar, porque será respeitado o princípio da presunção da inocência, que a Globo sistematicamente atropela ao acusar, julgar e condenar Lula e o PT", disse.



"Também será adotado certamente o equilíbrio editorial. Os
argumentos da defesa e as eventuais provas de inocência da Globo não
serão censurados no “Jornal Nacional”, diferentemente do que ocorre em
relação ao PT, Lula e Dilma, que tiveram até a prisão pedida em
editoriais e artigos de sua rede", acrescentou.
"A Globo aprenderá também que, no devido processo legal, quem acusa
tem de provar e ninguém pode ser condenado com base apenas em delações
premiadas."
Leia, AQUI, a nota completa.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Wadih Damous: "Há elementos para cassar a concessão da Rede Globo"



O deputado Wadih Damous (PT-RJ), que já presidiu a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, afirma que o escândalo Globo-Fifa traz elementos que, se confirmados, podem levar à cassação da concessão da Globo; "O Código Nacional de Telecomunicações deixa claro que, se confirmada a prática de crime, a empresa pode perder a concessão"; ele também diz que o episódio revela que o delator argentino – no caso, Alejandro Burzaco – é melhor do que os brasileiros; "ele indicou todo o caminho do dinheiro e a Justiça só não rastreia a propina se não quiser"; por fim, Damous também diz que a grande roubalheira passa distante da Operação Lava Jato e que, no Brasil, ela não é investigada deliberadamente

Brasil 247 – O deputado Wadih Damous (PT-RJ), que já presidiu a seccional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil, ficou estarrecido com o segundo depoimento do delator Alejandro Burzaco, que acusou a Globo de se envolver num esquema para o pagamento de propinas de US$ 15 milhões – o equivalente a R$ 50 milhões – para garantir direitos de transmissão exclusivo das Copas de 2026 e 2030 (leia mais aqui).

– O delator argentino é muito melhor do que os brasileiros que têm aparecido na Lava Jato. Ele falou e trouxe elementos que comprovam o que disse – aponta o deputado.

Segundo Burzaco, que comandava a empresa Torneos y Competencias, ele foi orientado pela Globo a abrir uma subsidiária na Holanda. Em seguida, teria recebido recursos de uma empresa da família Marinho para pagar propina ao ex-dirigente argentino Julio Grondona, já falecido, numa conta suíça secreta no banco Julius Baer.

– A Justiça agora só não rastreia a origem e o destino da propina se não quiser – diz Damous.

O deputado vai além e afirma que há elementos até para se propor a cassação da concessão da Rede Globo de Televisão. Isso porque o artigo 53 da Lei 4.117, que trata do setor, estabelece que "constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprego desse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção". Ou seja: se for confirmada a prática de crime, a empresa pode perder a concessão.

Damous diz ainda que o episódio demonstra que a Operação Lava Jato passa longe da grande corrupção – ou daquilo que o deputado chama de "Roubo com R maiúsculo". E não o faz, segundo ele, de forma deliberada.

Ele afirma ainda que, ao corromper cartolas para se tornar monopolista no futebol, a Globo agride a democracia no Brasil, uma vez que amplia sua audiência, sua influência e seu poder de manipulação.

Em nota, a Globo negou o pagamento de propinas e disse que, após realizar uma investigação interna, a emissora concluiu pela própria inocência.

Ontem, em debate na TV 247, o escândalo Globo-Fifa foi o tema central. Reveja e inscreva-se no canal:

sábado, 11 de novembro de 2017

Protestos de Norte a Sul repudiam reformas de Temer



Centrais Sindicais e os movimentos sociais brasileiros saíram às ruas na manhã desta sexta-feira (10) para denunciar em protestos unificados a reforma trabalhista de Michel Temer, considerada o maior ataque aos direitos dos trabalhadores em 74 anos da criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A Lei sancionada por Temer entra em vigor neste sábado (11) desequilibrando em favor dos empresários as relações de trabalho.



Interdição de ruas, atos políticos, caminhadas, assembleias, paralisações aconteceram nesta manhã nos quatro cantos do país e prosseguem no período da tarde. Praças Públicas, prédios do INSS, portas de fábricas, sedes da Justiça do Trabalho, rodovias foram os pontos mais comuns onde ocorreram as manifestações.



Dirigentes sindicais, integrantes de movimentos sócias, trabalhadores da Justiça do Trabalho, Fiscais do Trabalho e Trabalhadores Rurais prometem não dar trégua ao governo Temer, que pressiona pela aprovação da Reforma da Previdência. A Portaria do Trabalho Escravo também foi rechaçada pelos manifestantes.



São Paulo



A praça da Sé ficou lotada em São Paulo no ato nacional das centrais sindicais contra as reformas trabalhista e da Previdência Social do governo Temer. Hovue caminhada no final da concentração atá a avenida Paulista. Protestos também aconteceram em diversas regiões da região metropolitana.







Pará



Manifestantes tomaram as avenidas principais da cidade em caminhada até o mercado Ver-o-Peso no centro da capital paraense. O protesto iniciou em frente a sede da Justiça do Trabalho.





Rio Grande do Sul



Assembleias em portas de fábricas marcaram o dia de mobilização contra as reformas de Temer na região metropolitana de Porto Alegre. Foram realizados protestos em bancos, refinarias e os trabalhadores estão "em estado de greve". Nesta tarde estão previstos atos na Esquina Democrática na capital.





 Pernambuco



A área central de Recife foi tomada por manifestantes que exibiam
cartazes "Reaja agora ou morra trabalhando" em referência ás reformas da
Previdência Social e a Trabalhista. os protestos aconteceram em frente a
Superintendência Regional do Trabalho.



Mato Grosso



Trabalhadores da Universidade Federal do Mato Grosso realizam
panfletagem em frente ao Campus da universidade denunciando as reformas
de Temer e os cortes no orçamento das entidades federais.





Confira imagens dos atos em outras localidades:



Protesto no ABC Paulista





Rodoviários de Salvador paralisam atividades







Trabalhadores cruzam os braços na porta da fábrica em Santa Catarina







São Luis (MA)





Fortaleza (CE)





Belo Horizonte (MG)





Maceió







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Ato na Sé (SP): Reforma trabalhista é o maior assalto ao trabalhador



Nesta sexta-feira (10) de protesto contra a reforma trabalhista de Michel Temer, todas as centrais sindicais do país se reuniram na praça da Sé em São Paulo. Adilson Araújo, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) afirmou no ato: “Estamos contra o maior assalto praticado contra a classe trabalhadora". A partir de amanhã (sábado) o trabalhador chega ao trabalho sendo ameaçado. Não vamos permitir”, declarou. A reforma entra em vigor neste sábado(11).

Os protestos reúnem movimentos sociais e acontecem em todo o país denunciando a reforma trabalhista, a reforma da Previdência Social e a Portaria 1129/2017 que enfraquece o combate ao trabalho escravo.



Confira AQUI na íntegra o discurso do dirigente da CTB:



do Portal Vermelho


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Privatizações vão ampliar crise e ameaçam a soberania nacional, dizem especialistas



Convocada pelo senador Lindberg Faria (PT-RJ) para discutir os impactos das privatizações, a audiência realizada nesta segunda-feira (06), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, apresentou um cenário sombrio, caso se concretize o desmonte pretendido pelo governo Temer; segundo os especialistas ouvidos, a crise pode piorar e o desenvolvimento do Brasil será comprometido; para Jair Ferreira, presidente da Fenae, "não podemos deixar recursos como o FGTS, o FAT, o financiamento do Minha Casa Minha Vida, o financiamento do esporte pelas loterias, o Bolsa Família, o Fies, nas mãos do mercado, porque esses programas não podem ter a lógica do rentismo. Quem empresta, quem financia o desenvolvimento são os bancos públicos"



Brasil247 - Convocada pelo senador Lindberg Faria (PT-RJ) para discutir os impactos das privatizações, a audiência pública interativa realizada na noite desta segunda-feira (06), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, apresentou um cenário, no mínimo, sombrio, caso se concretize o desmonte pretendido pelo governo de Michel Temer. Especialistas e estudiosos foram unânimes ao vaticinar que a crise pode piorar e que o desenvolvimento do Brasil será totalmente comprometido sem os indutores controlados pelo Estado.



Manchete criminosa ontem nas bancas do Rio de Janeiro


O professor Nelson José Hubner Moreira, da UFRJ, foi taxativo quanto ao setor elétrico. “Se hoje estamos aqui discutindo a privatização e venda de estatais como a Eletrobrás, daqui a cinco anos voltaremos a essa Comissão para discutir racionamento e aumentos dos preços. Não é preciso ser especialista para saber que não se pode deixar um setor estratégico como o energético ser regulado pelos agentes financeiros, pelo mercado. Nenhum país sério do mundo faz, nem os Estados Unidos, nem a Noruega, nem o Canadá. Veja que não estou citando nenhum país comunista, é porque com energia não se brinca”, afirmou.



Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disse desconhecer país que faça uma transferência em tempo recorde, com uma velocidade “estúpida” do setor produtivo para o setor financeiro. “O país entrega sua soberania e permite um impacto severo sobre redução drástica dos empregos e da massa salarial” lamentou.



Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, apresentou um breve relato das políticas públicas conduzidas por bancos de capital estatal, em especial a Caixa e sua importância como indutora do desenvolvimento econômico nacional, estadual e municipal. “Não podemos deixar recursos como o FGTS, o FAT, o financiamento do Minha Casa Minha Vida, o financiamento do esporte pelas loterias, o Bolsa Família, o Fies, nas mãos do mercado, porque esses programas não podem ter a lógica do rentismo. Quem empresta, quem financia o desenvolvimento são os bancos públicos como a Caixa, Banco do Brasil, BNB, Basa e BNDES”, disse.



Jair lembrou que uma das lutas que deve mobilizar toda a sociedade neste momento é a de manter a Caixa 100% pública, já que está clara a ameaça de abrir o capital do banco. A Fenae inclusive já está com a campanha “Defenda a Caixa você também” na mídia, a fim de envolver não apenas os empregados, mas toda a sociedade. “Ao ameaçar os bancos públicos, se ameaça também a renda, a possibilidade de financiamento de longo prazo em todos os estados e principalmente nas cidades”, acrescentou o presidente da Fenae.



Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), “vivemos um momento em que estamos brigando pelas galinhas do galinheiro, quando estamos a um passo de perder a fazenda inteira, para o grande capital que está dominando. Primeiro pela precarização do Executivo, depois pela precarização do parlamento com o financiamento privado de campanha e terceiro pela precarização do trabalho”.



Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou o decreto assinado por Temer na última quarta-feira, que facilita a venda de ativos das estatais. Segundo ele, o decreto é inconstitucional, pois a criação e a venda de empresas estatais precisam passar pelo Congresso Nacional. O senador destacou que as bancadas petistas já estão tomando as medidas legislativas e jurídicas para derrubar o decreto. “Estão tentando legalizar ilegalidades que já foram cometidas, em especial na Petrobras. A Petrobras vendeu 66% do campo de Carcará, do pré-sal, sem licitação, para a estatal norueguesa, com o preço do barril de petróleo saindo a US$ 2. Isso é um presente” denunciou o parlamentar.



Em vários momentos durante a audiência pública, a plateia se manifestou com gritos de ordem como “privatização é corrupção” e mostrando disposição para a mobilização articulada com toda a sociedade. Diversos outros senadores e deputados participaram dos debates. Entre eles, os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP), Zé Carlos (PT-MA), Margarida Salomão (PT-MG), Erika Kokay (PT-DF) e Enio Verri (PT-PR), e a senadora Lídice da Mata (PSB-BA).



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Samuel
Pinheiro Guimarães: Estados Unidos querem Alcântara para controle da
América do Sul e África e confronto com China e Rússia





1. Os Estados Unidos, além de suas frotas de porta aviões, navios e submarinos nucleares que singram todos os mares, possuem mais de 700 bases militares terrestres fora de seu território nacional nos mais diversos países, em muitas das quais instalaram armas nucleares e sistemas de escuta da National Security Agency (NSA).



2. Os Estados Unidos têm bases de lançamento de foguetes em seu território nacional, como em Cabo Canaveral, perfeitamente aparelhadas com os equipamentos mais sofisticados, para o lançamento de satélites.



3. Os Estados Unidos não necessitam, portanto, de instalações a serem construídas em Alcântara para o lançamento de seus foguetes.



4. O objetivo americano não é impedir que o Brasil tenha uma base competitiva de lançamento de foguetes; isto o governo brasileiro já impede que ocorra pela contenção de despesas com o programa espacial brasileiro.



5. O objetivo principal norte americano é ter uma base militar em território brasileiro na qual exerçam sua soberania, fora do alcance das leis e da vigilância das autoridades brasileiras, inclusive militares, onde possam desenvolver todo tipo de atividade militar.



6. A localização de Alcântara, no Nordeste brasileiro, em frente à África Ocidental, é ideal para os Estados Unidos do ângulo de suas operações político-militares na América do Sul e na África e de sua estratégia mundial, em confronto com a Rússia e a China.



7. O Governo de Michel Temer tem como objetivo central de sua politica (que nada mais é do que o cumprimento dos princípios do Consenso de Washington) atender a todas as reivindicações históricas dos Estados Unidos feitas ao Brasil não só em termos de política econômica interna (abertura comercial, liberdade para investimentos e capitais, desregulamentação, fim das empresas estatais, em especial da Petrobras etc.) como em termos de política externa.



8. À politica externa cabe cooperar com a execução deste programa de Governo, cujo objetivo é atrair investimentos estrangeiros, além de ações de combate à Venezuela, de afastamento em relação aos vizinhos da América do Sul, de destruição do Mercosul, a partir de acordo com a União Europeia, cavalo de Troia para abrir as portas de um futuro acordo de livre comércio com os Estados Unidos, de adesão à OCDE, como forma de consolidar esta política econômica, e de afastamento e negligência em relação aos países do Sul.



9. Nesta política geral do Governo Temer, o acordo com os Estados Unidos para a utilização da Base de Alcântara configura o caso mais flagrante de cessão de soberania da história do Brasil.



10. Os Estados Unidos, se vierem a se instalar em Alcântara, de lá não sairão, pois de lá poderão “controlar” o Brasil, “alinhando” de fato e definitivamente a política externa brasileira e tornando cada vez mais difícil o exercício de uma política externa independente.



Samuel Pinheiro Guimarães foi Secretário Geral do Itamaraty (2003-2009), Ministro de Assuntos Estratégicos (2009-2010) - Vi o Mundo